terça-feira, 4 de junho de 2013

Núcleo de Ação Educativa - Pinacoteca de São Paulo



Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca de São Paulo.

A implantação do Núcleo de Ação Educativa, em 2002, originou-se da responsabilidade de reconstruir um pólo ativo de atividades educativas capazes de potencializar a fruição e a compreensão das obras pertencentes ao rico acervo da Pinacoteca a públicos cada vez mais amplos.
A partir de uma pesquisa preliminar que buscou conhecer o perfil do visitante freqüentador do museu, foram percebidas as necessidades educativas desse segmento, mas principalmente identificou-se aquele público que não participa desse universo.
Assim, os objetivos do Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca estão voltados a desenvolver ações educativas a partir das obras do acervo, promover a qualidade da experiência do público no contato com as obras, garantir a ampla acessibilidade ao museu, além de incluir aquelas pessoas que habitualmente não são freqüentadoras, e incentivá-las à visitação.
Essa série de desafios educativos, em consonância com a relevância do acervo a ser tratado, impulsionou a organização de diferentes ações que, embora formuladas como programas autônomos, atuam em sinergia, trocando constantes experiências sob uma diretriz pedagógica comum.
A proposta dos programas educativos é atuar por meio de estímulos capazes de estabelecer diálogos com os visitantes, tendo como ponto de partida sua percepção, interpretação e compreensão das obras enfocadas, para a construção de significados possíveis.
Completando este serviço que busca contribuir para a relação entre a arte e a educação a Pinacoteca também oferece um espaço digital em seu portal com informações sobre as atividades propostas, o Professor também pode retirar gratuitamente materiais impressos de apoio à prática pedagógica ao visitar o museu.

Com interesse em estimular o acesso dos professores às obras do acervo da Pinacoteca, suas exposições temporárias e ao patrimônio cultural, e prepará-los para perceber o potencial educativo destes conteúdos, orientar diversas ações do Núcleo de Ação Educativa tais como:
 
Encontros de formação

Os encontros são pensados de forma a auxiliar os professores a desenvolver propostas que incluam a arte em sala de aula, objetivando a construção do interesse pela arte e pela cultura. Por meio de ações tanto para a exposição de obras do acervo, quanto para mostras temporárias, os professores são estimulados a participarem dos encontros e retornarem à Pinacoteca com seus alunos para a realização das visitas educativas.

Programa Educativo para Públicos Especiais.



Este programa busca promover o acesso de grupos de pessoas com deficiência sensorial, física ou mental à Pinacoteca, à arte e ao patrimônio, por meio de uma série de abordagens e recursos multissensoriais. As visitas educativas são realizadas por educadores especializados, inclusive em LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais), com uma educadora surda. O acesso do público cego a obras originais também ocorre por meio da Galeria Tátil de Esculturas. Além disso, o PEPE realiza cursos de formação para profissionais interessados em usar a arte e o patrimônio como recursos inclusivos e desenvolve publicações para público surdo e cego.

Programa de Inclusão sociocultural

O objetivo deste programa é promover o acesso qualificado aos bens culturais presentes no museu a grupos em situação de vulnerabilidade social, com pouco ou nenhum contato com instituições oficiais da cultura, o programa desenvolve parcerias com instituições socioeducativas e realiza visitas continuadas à Pinacoteca, orientadas por perfil e demanda de cada grupo, em consonância com os processos educativos da instituição de origem. São promovidos também cursos de formação e publicações para educadores sociais. Além disso, desenvolve o projeto Extramuros com grupos de adultos em situação de rua, por meio de oficinas de xilogravura e criação de texto, embasadas em visitas continuadas ao museu. Este projeto gerou publicações e exposições das obras produzidas pelos participantes.

 Consciência Funcional.

Voltado à formação continuada e integração dos funcionários da Pinacoteca, este programa  é destinado aos trabalhadores da recepção e atendimento, limpeza, manutenção e segurança. Organizado em vários módulos, o programa começa por apresentar as atividades técnicas do museu e avança para discutir questões relacionadas à recepção de público, significado coletivo de patrimônio e suas funções sociais.
 
Materiais e recursos de Mediação

Buscando aproximar a prática pedagógica cotidiana dos professores às ações educativas realizadas no museu foram desenvolvidas várias publicações e recursos de mediação para professores e educadores. Os materiais de apoio à prática pedagógica contam com um conjunto de reproduções de imagens de obras do acervo da Pinacoteca e de exposições temporárias, organizados a partir de propostas de análise, percepção e interpretação de obras de arte; comparativos temporais de épocas de produção das obras e biografias dos artistas, além de propostas poéticas. Estes materiais são distribuídos gratuitamente a instituições educacionais e professores interessados.

Público em Geral 

Para o público em geral visitante da Pinacoteca, o Núcleo de Ação Educativa desenvolve ações do programa Educateca que por meio de diferentes recursos visam incentivar a percepção, comparação, interpretação e reflexão. Como parte deste programa, há jogos que podem ser emprestados na recepção e utilizados para estimular um olhar atento e curioso às obras em exposição, guias de autovisita e folhetos nomeados Para saber mais, que trazem informações e questionamentos sobre as obras e exposições apresentadas no museu, além do painel Vamos conversar? No qual os visitantes podem deixar seus recados para o museu.

Na exposição de obras do acervo Arte no Brasil: Uma História na Pinacoteca, o NAE participa com a proposta Arte em Diálogo.
A partir de eixos conceituais, foram selecionadas obras de produção mais recente que foram colocadas em meio a salas com obras de arte de períodos anteriores, complementadas com textos que propõem questões para leituras de imagem e comparações entre temas, técnicas e significados possíveis. Esta exposição conta ainda com a Sala de Interpretação, em que o visitante é convidado a vivenciar aspectos da exposição e da história da Pinacoteca por meio de jogos, de recursos táteis e participativos, além de poder deixar seu depoimento em vídeo sobre suas memórias da exposição e do museu.

Ainda objetivando uma maior visitação e inclusão do público carente a Pinacoteca do Estado de São Paulo oferece todas as quintas entrada franca a partir das 17h e funcionamento até as 22:00  e ingresso grátis aos sábados.




segunda-feira, 3 de junho de 2013

O FAZER - Visita ao ateliê do artista plástico João Cândido da SIlva - 25 / 05 / 2013


João Cândido da Silva nasceu em uma família de 18 irmãos gerados por dona Maria, uma humilde bordadeira, que acumulava as funções de dona-de-casa e artista plástica. Nascida em Sorocaba, interior de São Paulo, que, casada com um trabalhador braçal de estrada de ferro, migrou para a cidade mineira, onde teve os primeiros filhos, entre eles João Cândido. Diante das dificuldades e privações que atingiam a família, Maria e seus filhos decidem partir para a cidade de São Paulo em busca de uma vida melhor.
Ao desembarcar na Estação da Luz no início da década de 1940, as crianças tiveram que dormir numa gafieira, pois os parentes que já moravam na Cidade não apareceram para recepcionar a família. João Cândido diz que as primeiras impressões sobre São Paulo provocaram-lhe um certo temor. Até então, o jovem estava acostumado com uma paisagem rural, muito diferente dos bondes e dos edifícios enormes que compunham o cenário urbano que agora vislumbrara.
Desde cedo, João Cândido demonstrava interesse pelas artes, enquanto sua mãe trabalhava em suas pinturas e esculturas, o jovem desenhava com carvão nas paredes da casa. Para impedir que o Cândido continuasse com a “sujeira”, Dona Maria passou a lhe disponibilizar alguns materiais de pintura como restos de tintas e pincéis velhos.
A partir daí, João Cândido inicia suas primeiras experiências com as tintas óleo e acrílica aplicando-as sobre os suportes mais variados possíveis. Os temas preferidos de João são as festas e manifestações populares como: o boi, a capoeira, o futebol, o carnaval e a folia de reis. Embora a pintura seja sua mais recorrente forma de expressão, o artista também é escultor; trabalha com madeira, papel, arame recozido entre outros materiais.






sexta-feira, 29 de março de 2013

IBERÊ CAMARGO

Iberê Camargo - 1914 -1994



Pintor e gravador brasileiro nascido em Restinga Seca, RS, um dos mais legítimos representantes do abstracionismo expressionista no Brasil. Estudou com Guignard ganhou um prêmio de viagem ao exterior (1947) na divisão moderna do Salão Nacional de Belas-Artes. Assim pode estudar gravura com Carlo Alberto Petrucci, em Roma, e pintura com André Lhote e Giorgio De Chirico, em Paris. De volta ao Brasil, morou no Rio de Janeiro, dedicou-se ao ensino da gravura, sobretudo em metal, técnica na qual se especializou. Organizou os salões Preto e Branco (1954) e Miniatura (1955) e consolidou o abstracionismo expressionista com sua obra Carretéis (1960). Premiado como o melhor pintor nacional na VI Bienal de São Paulo (1961), cresceu em prestígio tanto no Brasil como no exterior. Apresentou-se em exposições individuais ou coletivas em cidades como Washington, Nova York, Paris, Montevidéu e Barcelona, e coroou sua carreira com a realização de um painel de grandes proporções para a sede da Organização Mundial de Saúde, em Genebra (1966). Nos últimos cinco anos de vida morou em Porto Alegre, capital estadual onde morreu.




                                    O Idiota, 1991, Óleo sobre tela, 155 x 200 cm

Técnica

Dentre as técnicas desenvolvidas pelo artista, estão a gravura em metal (processo de gravura feito numa matriz de metal) e a pintura a óleo (técnica artística, que se utiliza de tintas a óleo). Na gravura é possível ver o acúmulo de matéria em sua obra gráfica, da mesma forma na sua pintura. Das técnicas que utilizou em sua obra destacam-se as camadas de tinta densas, trabalhadas cuidadosamente com a espátula, o que deu um caráter mais expressionista às suas obras. O artista não economizava na construção pictórica, utilizava-se de diversas técnicas para construir seu trabalho.




                                       

Crepúsculo da Restinga Seca, 1993, óleo sobre tela, 65 x 92 cm



Materiais.

O artista utilizava diversos materiais na construção do seu trabalho pictórico, dentre eles: pincel, espátula, dedos, esponja, carvão, guache, tecido e unhas. Iberê não gostava das tintas nacionais, dizia que o pais não tinha memória, pois a qualidade das tintas eram péssimas. Por isso Participou do Salão Preto e Branco, em manifesto aos altos preços das tintas importadas e a má qualidade das tintas nacionais. 



Fantasmagoria IV, 1987, óleo sobre tela, 200 x 236 cm

Linguagem

Tratasse de uma obra onde o artista por meio da linguagem da pintura retrata três pessoas dividindo o mesmo cenário, a pintura é toda feita com destaque em fortes pinceladas e muita tinta óleo que compõe o cenário e seus personagens, onde aparentemente essas pessoas interagem entre si. Os personagens são construídos de linhas desorganizadas como que riscados, demonstrando assim uma imagem distorcida da realidade, com olhos vazios em um tom azul, e o cenário muito abstrato dando a sensação de haver mobilhas, mas nada de concreto. 


Símbolos, 1976, óleo sobre tela, 93 x 132 cm

Tema

Um dos temas mais recorrentes do artista foram os carretéis: os brinquedos da sua infância se tornaram referencias para sua obra e estiveram presentes até a fase final de seu trabalho. Com um talento aflorado, o artista transitou por diversos temas e criou obras diversas, do figurativo ao abstrato; gravuras, desenhos e pinturas. Na década de 1980 a figuração aparece com mais força nas séries, As Idiotas, Fantasmagoria, Ciclista e Tudo te é Falso é Inútil.



                            Ciclistas, 1989, óleo sobre tela, 180 x 213 cm

Critica 

É angustiante observar este trabalho. Existe uma inquietude presente em cada gesto. Luz fria e pesada. Os tons vermelhos quase neutros  mesclam-se com pequenos tons azulados e cinza. A cor preta domina todo campo pictórico criando uma atmosfera sombria e triste. As figuras estão numa posição estática mesmo com a gestualidade presente. A obra apresenta dois seres com características destorcidas e toscas. Criaturas mórbidas, sem vida, esquecidas na escuridão onde não há resquício do ser humano.