Iberê Camargo - 1914 -1994
Pintor e gravador brasileiro nascido em Restinga Seca, RS, um dos mais legítimos representantes do abstracionismo expressionista no Brasil. Estudou com Guignard ganhou um prêmio de viagem ao exterior (1947) na divisão moderna do Salão Nacional de Belas-Artes. Assim pode estudar gravura com Carlo Alberto Petrucci, em Roma, e pintura com André Lhote e Giorgio De Chirico, em Paris. De volta ao Brasil, morou no Rio de Janeiro, dedicou-se ao ensino da gravura, sobretudo em metal, técnica na qual se especializou. Organizou os salões Preto e Branco (1954) e Miniatura (1955) e consolidou o abstracionismo expressionista com sua obra Carretéis (1960). Premiado como o melhor pintor nacional na VI Bienal de São Paulo (1961), cresceu em prestígio tanto no Brasil como no exterior. Apresentou-se em exposições individuais ou coletivas em cidades como Washington, Nova York, Paris, Montevidéu e Barcelona, e coroou sua carreira com a realização de um painel de grandes proporções para a sede da Organização Mundial de Saúde, em Genebra (1966). Nos últimos cinco anos de vida morou em Porto Alegre, capital estadual onde morreu.
O Idiota, 1991, Óleo sobre tela, 155 x 200 cm
Técnica
Dentre as técnicas desenvolvidas pelo artista, estão a
gravura em metal (processo de gravura feito numa matriz de metal) e a pintura a
óleo (técnica artística, que se utiliza de tintas a óleo). Na gravura é
possível ver o acúmulo de matéria em sua obra gráfica, da mesma forma na sua
pintura. Das técnicas que utilizou em sua obra destacam-se as camadas de tinta
densas, trabalhadas cuidadosamente com a espátula, o que deu um caráter mais
expressionista às suas obras. O artista não economizava na construção
pictórica, utilizava-se de diversas técnicas para construir seu trabalho.
Crepúsculo da Restinga Seca, 1993, óleo sobre tela, 65 x 92 cm
Materiais.
O artista utilizava diversos materiais na construção do seu
trabalho pictórico, dentre eles: pincel, espátula, dedos, esponja, carvão, guache, tecido e
unhas. Iberê não gostava das tintas nacionais, dizia que o pais não tinha memória,
pois a qualidade das tintas eram péssimas. Por isso Participou do Salão Preto e
Branco, em manifesto aos altos preços das tintas importadas e a má qualidade
das tintas nacionais.
Fantasmagoria IV, 1987, óleo sobre tela, 200 x 236 cm
Linguagem
Tratasse de uma obra onde o artista por meio da linguagem da
pintura retrata três pessoas dividindo o mesmo cenário, a pintura é toda feita
com destaque em fortes pinceladas e muita tinta óleo que compõe o cenário e
seus personagens, onde aparentemente essas pessoas interagem entre si. Os
personagens são construídos de linhas desorganizadas como que riscados, demonstrando
assim uma imagem distorcida da realidade, com olhos vazios em um tom azul, e o cenário
muito abstrato dando a sensação de haver mobilhas, mas nada de concreto.
Símbolos, 1976, óleo sobre tela, 93 x 132 cm
Tema
Um dos temas mais recorrentes do artista foram os carretéis:
os brinquedos da sua infância se tornaram referencias para sua obra e estiveram
presentes até a fase final de seu trabalho. Com um talento aflorado, o artista
transitou por diversos temas e criou obras diversas, do figurativo ao abstrato;
gravuras, desenhos e pinturas. Na década de 1980 a figuração aparece com mais
força nas séries, As Idiotas, Fantasmagoria, Ciclista e Tudo te é Falso é Inútil.
Ciclistas, 1989, óleo sobre tela, 180 x 213 cm
Critica
É angustiante observar este trabalho. Existe uma inquietude presente
em cada gesto. Luz fria e pesada. Os tons vermelhos quase neutros mesclam-se com pequenos tons azulados e cinza.
A cor preta domina todo campo pictórico criando uma atmosfera sombria e triste.
As figuras estão numa posição estática mesmo com a gestualidade presente. A
obra apresenta dois seres com características destorcidas e toscas. Criaturas mórbidas, sem vida, esquecidas na
escuridão onde não há resquício do ser humano.






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